PM, amante e vizinho são investigados por ajudar a ocultar corpo de estudante, diz MPSP

Foto: Arquivo Pessoal

O estudante da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Marcos Yuri Amorim, preso preventivamente sob suspeita de matar a namorada, Carmen de Oliveira Alves, teve ajuda do policial militar ambiental da reserva Roberto Carlos de Oliveira, amante dele e também preso preventivamente, e de um vizinho, identificado como Paulo Henrique Messa, para ocultar o corpo da jovem. O caso aconteceu em Ilha Solteira, no interior de São Paulo.

As informações estão na denúncia do Ministério Público paulista (MPSP) oferecida à Justiça na última segunda (20/10).

Relembre o caso

Carmen desapareceu em 12 de junho deste ano, após apresentar um trabalho na Unesp de Ilha Solteira, no interior de São Paulo, onde estudava.

A suspeita da Polícia Civil e do MPSP é que ela, que é uma mulher trans, foi vítima de feminicídio, perpetrado pelo namorado Yuri.

De acordo com as investigações, ele não queria assumir o relacionamento, que já durava 15 anos, e mantinha relações com outras pessoas, como Roberto.

Para pressionar o rapaz a assumir o namoro, a estudante montou um dossiê com informações sobre roubos que ele teria praticado.

A pasta enfureceu Yuri, e teria motivado o assassinato de Carmen.

Segundo o MPSP, ela foi morta naquele mesmo 12 de junho, mas o corpo da estudante nunca foi encontrado.

Yuri e Roberto estão presos desde 10 de julho, e são acusados de feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual.

Em 20 de outubro, o MPSP apresentou denúncia acusando um terceiro suspeito, que seria vizinho de Yuri e teria ajudado a ocultar os vestígios do crime.

Dinâmica do assassinato

Segundo a denúncia, Carmen e Yuri passaram a noite juntos no sítio dele, em Ilha Solteira. Pela manhã, foram à faculdade, onde apresentaram um trabalho de microbiologia. Após a aula, ele tentou visitar Roberto, mas não o encontrou em casa. Em seguida, retornou ao sítio, onde a namorada já o esperava.

No sítio, Yuri agrediu Carmen, fazendo com que ela caísse desacordada no chão. Ele chamou Roberto, que chegou cerca de 30 minutos depois em sua caminhonete, uma L200 Triton.

Juntos, os dois mataram Carmen com o uso de uma barra de ferro. Eles enrolaram o corpo da vítima e a arma utilizada no crime em uma lona, e colocaram na traseira do veículo, junto com a bicicleta elétrica da estudante, também ainda não encontrada.

A dupla deixou o corpo de Carmen em local incerto, distante do sítio, e retornou para limpar os vestígios do homicídio.

“Inicialmente, retiraram a terra por onde o sangue da vítima escorreu, depositando-a em um balde e cobriram-no com um saco de ração. Na sequência, os denunciados colocaram o balde com a terra ensanguentada, o saco de ração, uma pá e uma enxada na carroceria da caminhonete de Roberto e seguiram no veículo rumo ao bairro Ipê”, diz trecho da denúncia.

No percurso, cerca de três horas depois da morte de Carmen, Yuri utilizou o celular dela para acessar uma pasta no Google Drive em que a estudante havia reunido provas de crimes supostamente cometidos por ele. O suspeito apagou todos os documentos. Em seguida, o celular da vítima foi destruído e jogado em um acostamento, próximo ao bairro Ipê.

Fonte: Metrópoles