A criminosa Simone Saturnino, apontada pelas autoridades como uma das principais articuladoras da facção Primeiro Grupo Catarinense (PGC) em Santa Catarina, foi presa na cidade de Mesquita, no Rio de Janeiro. A mulher, que estava foragida, é acusada de ter ordenado execuções, coordenado ataques violentos no estado catarinense e atuado diretamente na chefia do tráfico no Morro do Horácio, em Florianópolis.
A prisão foi realizada após semanas de investigação conduzida pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), que confirmou os dois mandados ativos contra Simone: um por associação para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo e organização criminosa, e outro por homicídio qualificado.
Simone era considerada peça-chave nas ações externas do PGC, especialmente por seu envolvimento com Rodrigo de Oliveira, conhecido como “Rodrigo da Pedra”, seu ex-marido e ex-líder da facção. Em 2013, ela foi apontada como responsável por repassar, de fora da cadeia, a ordem para ataques coordenados que incendiaram ônibus e veículos públicos em Santa Catarina, com uma orientação clara: que menores de idade fossem utilizados nos crimes e que os passageiros fossem retirados antes dos incêndios.
A Polícia Civil afirma que as mensagens enviadas por Simone teriam iniciado a onda de atentados. Quatro horas após o envio do comando, o primeiro ataque foi registrado.
Além disso, foi Simone quem divulgou vídeos de presos exaltando os atentados, o que ampliou o pânico durante o período.
Simone chegou a ser condenada em 2014 a 15 anos de prisão pela 3ª Vara Criminal de Blumenau, em um processo que sentenciou 80 membros do PGC a um total de 1.049 anos de reclusão pelos ataques ocorridos em 2012 e 2013. À época, ela já figurava como uma das principais lideranças femininas da facção, com atuação consolidada no Morro do Horácio.
A investigação mais recente aponta Simone como mandante do sequestro, tortura e execução de Thiago de Souza Fernandes, ocorrido em 3 de abril de 2024. Thiago, natural de São Paulo, havia sido acusado de furtar o chamado “mocó” do Morro do Horácio — um esconderijo de drogas da facção.
Segundo a investigação da Inteligência da PMSC, a ordem para matar Thiago partiu diretamente de Simone. Mensagens trocadas entre ela e a vítima indicam que ele seria levado ao “Tribunal do Crime” caso não pagasse pelo prejuízo.
A execução foi executada sob comando da mandante. Thiago foi sequestrado no Morro do Horácio e levado até o Morro do Mocotó, onde foi encontrado morto dias depois, na localidade conhecida como Pedra Bicuda.
O corpo apresentava sinais de tortura, perfurações de arma de fogo e estava parcialmente esquartejado, com um dos pés decepado.
Durante as buscas, a Polícia Militar encontrou um veículo Mitsubishi ASX clonado e com ligação direta com o crime. Em imagens nas redes sociais, os autores aparecem dentro do carro segurando uma pistola Taurus G2C e uma machadinha, armas utilizadas no crime.
A arma foi localizada posteriormente enterrada no quintal da casa de “Gui Sem Dente”, que acabou preso dias depois. No momento da prisão, criminosos ligados à facção chegaram a abrir fogo contra as guarnições para tentar impedir a detenção, mas os policiais conseguiram reagir e manter o controle da situação.
Fonte: Jornal Razão
Foto: Jornal Razão

0 Comentários