Foram dez dias de espera, angústia e trabalho ininterrupto até que o rio devolvesse Yasmin Sechini. A menina de 10 anos foi encontrada sem vida neste domingo (11), no rio Chapecozinho, em Xanxerê, encerrando uma das buscas mais longas e difíceis já realizadas na região desde o início do ano.
Yasmin estava desaparecida desde o dia 1º de janeiro, quando caiu no rio junto com a mãe. Desde então, cada amanhecer foi marcado pela esperança da família e pelo esforço incansável das equipes de resgate, que enfrentaram correnteza, vegetação fechada e pontos de acesso extremamente limitados ao longo do curso d’água.
Neste domingo, o trabalho começou ainda antes do sol nascer. Por volta das 6h, dez bombeiros militares do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina retomaram as buscas a partir do local exato onde o acidente foi registrado. Foram mais de 12 horas seguidas de operação apenas neste último dia, somando-se a uma mobilização que se estendeu por dez dias consecutivos.
A operação exigiu um esforço técnico e físico extremo. As equipes percorreram cerca de seis quilômetros pelo leito do rio, avançando metro a metro em um ambiente considerado de alto risco. Ao longo de toda a operação, os bombeiros utilizaram embarcações, drones, buscas a pé e contaram com o apoio aéreo da aeronave do Saer/Fron. No total, aproximadamente 30 quilômetros foram sobrevoados e outros 25 quilômetros navegados ao longo do Chapecozinho.
O local onde o corpo de Yasmin foi encontrado apresentava grande complexidade, com obstáculos naturais e pontos de difícil acesso, exigindo a aplicação rigorosa de técnicas específicas de resgate em ambiente aquático. Todos os procedimentos de segurança previstos nos protocolos da corporação foram adotados para proteger as equipes envolvidas na operação.
Segundo o aspirante Jonatas Ribeiro Senna Pires, o percurso enfrentado pelos bombeiros foi considerado extremamente complexo. Ele destacou que cada etapa da busca seguiu técnicas preconizadas pela corporação, garantindo a segurança da guarnição mesmo diante das condições adversas impostas pelo rio.
A confirmação do encontro do corpo encerra dias de mobilização intensa, mas marca, sobretudo, o desfecho de uma espera dolorosa para a família. O rio Chapecozinho, que no primeiro dia levou Yasmin, tornou-se também o cenário do último esforço de uma operação marcada pela persistência, pelo comprometimento das equipes e pelo silêncio pesado que acompanha a perda de uma criança.
Fonte: Jornal Razão
Foto: Jornal Razão

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