Nesta semana o Portal Catve revelou os detalhes da Operação Pítia e a busca da Justiça por um dos líderes de uma organização criminosa em Cascavel, ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que atuava no tráfico interestadual de drogas. Hoje, com base em documentos que a nossa reportagem teve acesso, mostraremos o mecanismo de lavagem de dinheiro que sustentava o esquema: o uso de empresas comerciais legais, incluindo mercado e lojas de conveniência, para "limpar" o lucro obscuro do narcotráfico e enviar recursos para a facção em São Paulo.
Enquanto o acusado J.P.G.R., de 41 anos, permanece foragido, a denúncia do Ministério Público expõe com riqueza de detalhes como o dinheiro vivo, proveniente da venda de cocaína e maconha, era inserido no sistema financeiro com a fachada de negócios comuns.
O "Portal" do Dinheiro Sujo: Mercado e Lojas de Conveniência e Veículos
A investigação identificou os endereços exatos das fachadas comerciais usadas para ocultar a origem ilícita dos recursos:
Uma loja de carros no Parque São Paulo revenda de veículos era o centro nervoso da lavagem. Era para este pátio que carros de luxo, recebidos como pagamento por drogas, eram levados para serem "esquentados" e revendidos com nota fiscal fria.
Uma Loja de conveniência e informática de titularidade de um dos investigados, foi outra peça fundamental. Embora seu endereço completo conste nos autos como parte do registro da empresa, as investigações a apontam como uma fachada no setor de varejo e conveniência que intermediou transações milionárias entre os criminosos, chegando a ter 25 veículos de luxo cadastrados em seu CNPJ.
Um pequeno mercado era utilizado como núcleo operacional financeiro, este estabelecimento comercial, que deveria ter movimentação compatível com um mercado de bairro, apareceu nas investigações como um verdadeiro "hub" de movimentações suspeitas na ordem de centenas de milhares de reais. A empresa servia para receber, fracionar e repassar os valores do tráfico, pulverizando o rastro do dinheiro.
O Ciclo Completo da Lavagem
O esquema era sofisticado e seguia um ciclo contínuo:
1. Venda da Droga: A organização vendia toneladas de entorpecentes, muitas vezes recebendo carros de luxo (como Mercedes, Dodge Ram e Land Rover) como forma de pagamento.
2. "Esquentamento" dos Veículos: Esses veículos eram levados para a loja de revenda de automóveis no Parque São Paulo, controlada por um dos integrantes, onde eram formalizados e colocados à venda.
3. Inserção no Mercado Formal: O dinheiro da venda dos carros, agora com nota fiscal, entrava no caixa das empresas "legais", como o mercado e a loja de conveniência.
4. Distribuição e Envio: De dentro desses estabelecimentos comerciais, os valores eram transferidos eletronicamente para outros integrantes, "laranjas" ou para cobrir despesas do crime. Parte do dinheiro seguia para São Paulo, para alimentar os cofres do PCC.
Fortuna Movimentada e Fachadas Diversificadas
Os números são estratosféricos. Apenas um dos investigados, E.F.A., 41, movimentou mais de R$ 5,3 milhões em um ano. Outro, M.F.O., 42, moveu R$ 1,8 milhão em poucos meses. Para justificar essas cifras, o grupo criou um emaranhado de empresas de fachada, incluindo um centro de estética, um empório de bebidas, uma transportadora e uma distribuidora, todas usadas para simular atividade econômica e lavar os lucros do tráfico.
A Justiça em Ação
Os cerca de 20 envolvidos agora respondem na Justiça pelo crime de Lavagem de Dinheiro, com pena prevista de 3 a 10 anos, com aumento por ter sido cometido por organização criminosa. A investigação, que começou com o desbaratamento do tráfico pela Operação Pítia, conseguiu seguir o rastro do dinheiro e expor como o crime se infiltra na economia formal e no comércio local para fins ilícitos.
A busca pelo líder foragido continua, e cada detalhe do esquema financeiro - incluindo os endereços físicos das fachadas - revelado fortalece a acusação de que Cascavel foi palco de uma complexa operação que ligava o tráfico de drogas às movimentações bancárias de estabelecimentos comerciais da cidade.
Fonte: CATVE
Arte: Antonio Mendonça/ Catve

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