Médico explica quais são os sintomas de virose, comum no Carnaval

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Com o feriado prolongado de Carnaval, muitas pessoas aproveitam para pegar estrada e viajar por alguns dias. Apesar da diversão, é normal que o período também seja marcado pelo aumento de casos de virose gastrointestinal. Isso porque a infecção viral se espalha com mais facilidade em locais de bastante aglomeração, como praias e bloquinhos.

A doença infecciosa ocorre no trato gastrointestinal e costuma atingir cerca de 2 milhões de pessoas anualmente no Brasil. O nome virose se dá pela condição ser causada geralmente por vírus como o rotavírus e o adenovírus.

Os sintomas da virose costumam ser leves e passar em até dois dias. Quando o quadro é associado com diarreias agudas, ele é classificado como gastroenterocolite, uma inflamação do estômago e intestinos.

“Vale lembrar que a virose é uma doença de transmissão fecal-oral, ou seja, é preciso ingerir ou inalar materiais fecais com vírus que causam o problema”, explica o gastroenterologista Gerson Nogueira de Morais, do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em São Paulo.

Os sintomas incluem:

Febre, indo de baixa a alta;

Dores no corpo, como cólicas abdominais;

Diarreia aguda;

Em casos mais graves, vômitos persistentes e sinais de desidratação, como boca seca, fraqueza e sede excessiva.

As causas da virose variam de acordo com o vírus envolvido. Em geral, elas podem ter origem no contato com gotículas respiratórias e secreções corporais infectadas (como saliva, muco, fezes ou sangue) que entram em contato com mucosas dos olhos, nariz e boca.

Elas também se espalham pelo contato com superfícies contaminadas, seguido pela transferência do vírus para a boca, nariz ou olhos; ou por via aérea, quando uma pessoa infectada espirra, tosse ou fala, liberando pequenas gotículas que contêm o vírus.

Além disso, o alto consumo de álcool na folia pode tornar o organismo mais suscetível a infecções virais, como as viroses.

“O álcool compromete as barreiras naturais de defesa do nosso organismo, como a barreira gastrointestinal. Ele pode causar danos à parede do estômago e do intestino, que funciona como uma barreira natural impedindo a invasão de microrganismos”, explica o infectologista Hareton Teixeira Vechi, do Instituto de Medicina Tropical da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Embora apresente sintomas semelhantes, a gripe se diferencia da virose por ser causada apenas pelos vírus da família influenza, que têm grande potencial de transmissão. Os principais sintomas gripais incluem febre alta de início súbito, dores musculares, fadiga extrema, calafrios e tosse seca.

Já em relação aos resfriados, a principal diferença é que eles são uma infecção respiratória superior específica. Ou seja, acomete apenas certas partes do trato respiratório superior, como nariz, faringe e laringe, enquanto as viroses ocorrem no trato gastrointestinal.

Frequentemente confundidas, as três condições se diferenciam pelo transmissor e a intensidade dos sintomas. Por exemplo, viroses e intoxicações alimentares são quadros bastante parecidos, mas a segunda causa manifestações mais intensas, como diarreia com presença de sangue e/ou pus, além de ser provocada por bactérias.

Já a Helicobacter pylori ocorre exclusivamente quando a bactéria entra na mucosa do estômago, ocasionando infecção e podendo levar ao desenvolvimento de gastrite e úlcera. Ela atinge apenas o estômago.

“É preciso se atentar aos sintomas, pois tanto virose quanto intoxicação alimentar causam diarreia, porém, a última, apresenta episódios mais intensos. Já na H.pylori, o principal sinal é uma forte dor no estômago”, alerta o gastroenterologista Gerson Nogueira de Morais.

Fonte: Metrópoles