O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) marcou para a próxima segunda-feira (9) o depoimento do deputado estadual Renato Freitas (PT) no processo sobre a briga de rua protagonizada pelo parlamentar, em novembro de 2025. Nesta segunda-feira (2), o deputado Marcio Pacheco (PP), relator do caso no colegiado, apresentou parecer preliminar favorável ao prosseguimento da investigação por suposta quebra de decoro parlamentar.
Pacheco rejeitou pedido de arquivamento e considerou haver elementos suficientes para dar andamento à representação contra Freitas que pode resultar na cassação do mandato parlamentar. Com isso, passa-se agora à fase de instrução probatória, ou seja, apresentação de provas e testemunhas. Ao final, caberá ao relator apresentar parecer conclusivo recomendando ou não a cassação, o que deve ocorrer dentro de dez dias. O parecer final no Conselho de Ética será submetida ao Plenário da Assembleia para deliberação final.
“Vejo fundamentos razoáveis nas denúncias para o aprofundamento das investigações e não visualizo nesse momento razões ou elementos comprobatórios robustos e suficientes nas alegações preliminares apresentadas pela defesa para o arquivamento das representações”, disse o deputado-relator Marcio Pacheco (PP) em seu parecer.
“Pugno pela continuidade e aprofundamento das investigações para melhor apuração dos fatos em tese praticados e narrados nas denúncias”, completou o relator.
Pacheco solicitou a oitiva de Wesley de Souza Silva, o rapaz que trocou socos com Renato Freitas na Rua Visconde do Rio Branco, no Centro de Curitiba. O relator determinou ainda a requsição de cópias de imagens e demais elementos audiovisuais coletados pela Polícia Civil ao longo da investigação sobre o caso.
O deputado Pacheco ainda refutou alegações de suspeição apresentado pela defesa contra o próprio relator, o presidente do Conselho de Ética, deputado Delegado Jacovós (PL), e o presidente da Alep, deputado Alexandre Curi (PSD). “Divergência política não é inimizade, e este Conselho julga fatos à luz do Regimento, não pessoas, partidos ou ideologias”, disse relator.
Renato Freitas não estava presente na sessão. Ele foi representado pelo advogado Edson Vieira Abdala. Por fim, o deputado Doutor Antenor (PT) solicitou o adiamento do processo, mas o presidente da comissão indeferiu o pedido de vista.
Relembre a briga de Renato Freitas que resultou em processo no Conselho de Ética
A briga corporal que envolveu Renato Freitas foi registrada em imagens de celular e viralizaram na internet. Elas mostram o deputado do PT e um homem trocando socos e chutes entre as ruas Vicente Machado e Visconde do Rio Branco, no Centro de Curitiba.
Um primeiro vídeo mostra o deputado dando dois chutes e recebendo um soco. Um segundo vídeo registra ambos atravessando uma rua enquanto desferem socos. Freitas afirmou, em nota, que o homem com quem brigou teria avançado de maneira brusca com o carro para cima dele, abaixado o vidro e proferido ofensas e ameaças, como “noia” e “lixo”.
Segundo o parlamentar, na ocasião, ele saía de um exame junto à mãe de seu filho, que estava grávida de nove semanas. Por conta da discussão, o político foi levado ao hospital com lesão no nariz. Na época, a assessoria afirmou que Freitas foi vítima de injúria racial. De acordo com o político, ele teria apenas reagido.
Onze representações no Conselho de Ética da Alep foram feitas contra o deputado por causa desse episódio. Todas sustentam que Freitas infringe o artigo 5º do Código de Ética e Decoro Parlamentar, que considera como ato incompatível à ética e ao decoro “praticar ofensas físicas ou vias de fato a qualquer pessoa, no edifício da Assembleia Legislativa e suas extensões ou fora dela, desde que no exercício do mandato”.
Fonte: RICTV
Foto: Valdir Amaral/Alep

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