Pai cobra julgamento de acusados por estupro e assassinato de menina, dez anos após o crime

Foto: Jornal Razão

O pai de Ana Beatriz Schelter gravou um vídeo nas redes sociais no último sábado (8), Dia Internacional da Mulher, para cobrar o julgamento dos três homens acusados de estuprar e assassinar a filha de 12 anos em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí. O crime completou dez anos no dia 3 de março e até agora os réus não foram levados ao Tribunal do Júri.

No vídeo, Ismael Schelter se dirige à população de Rio do Sul e questiona a transferência do julgamento para Florianópolis. “Eles não pensaram na minha filha. Toda a vida que era para ter o julgamento aqui na cidade, eles recorriam e achavam um motivo”, disse o pai, visivelmente indignado. Ele pediu que as pessoas compartilhassem a gravação para que o apelo chegasse ao Ministério Público.

A publicação repercutiu nas redes sociais e atingiu milhares de pessoas. Um post sobre o caso no perfil da influenciadora @greicesauer ultrapassou 11,9 mil curtidas e 2,6 mil comentários em poucas horas.

O crime

Ana Beatriz saiu de casa no dia 2 de março de 2016 para ir à Escola Henrique Fontes, no bairro Canta Galo. Câmeras de segurança de uma empresa próxima à BR-470 registraram os últimos passos da menina. Ela nunca chegou ao destino. Na manhã seguinte, o corpo foi encontrado dentro do baú de um caminhão em uma empresa de locação de banheiros químicos, no bairro Barra da Itoupava, a menos de 3 km da residência da família. Os autores colocaram uma corda no pescoço da vítima para simular suicídio. Laudos da Polícia Científica confirmaram que Ana Beatriz foi violentada sexualmente e morta por esganadura.

Conforme a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina, apresentada em maio de 2020, um homem conhecido da família e frequentador da mesma igreja que os pais da menina ofereceu carona a Ana Beatriz enquanto ela caminhava em direção à escola. Com ele havia um comparsa no veículo. Os dois teriam levado a vítima a um local não identificado, onde a violentaram sexualmente e, para ocultar o crime, a mataram por asfixia. Um terceiro envolvido, que trabalhava na empresa onde o corpo foi encontrado, teria ajudado a esconder o cadáver e simulado a cena do suicídio antes de acionar a polícia.

Investigação e Operação Fênix

As investigações ficaram inicialmente a cargo da Polícia Civil de Rio do Sul. Em novembro de 2019, o GAECO assumiu o caso e, em fevereiro de 2020, deflagrou a Operação Fênix, que resultou na prisão dos suspeitos. No vídeo publicado nas redes, Ismael Schelter elogiou o trabalho investigativo. “A perícia do GAECO é muito investigativa, muito boa. É uma das melhores polícias do Brasil. Onde o GAECO bota a mão, consegue investigar cientificamente”, afirmou.

O principal acusado foi preso preventivamente em fevereiro de 2020 e responde por estupro de vulnerável e homicídio qualificado. Se condenado, a pena pode ultrapassar 60 anos de prisão. O comparsa que estava no carro também responde pelos mesmos crimes, mas em liberdade. O terceiro acusado, responsável pela ocultação do corpo, responde por fraude processual qualificada.

Desabafo do pai

No vídeo, Ismael Schelter questionou o fato de dois dos três acusados estarem soltos. “Assassinaram uma criança de 12 anos, sequestraram a minha filha, estupraram, torturaram. Essa menina ficou uma tarde, uma noite, sofrendo na agonia. Eu pergunto ao Ministério Público: como é que esses dois camaradas estão soltos?”, cobrou.

Transferência do júri

O júri popular foi marcado inicialmente para 22 de outubro de 2025, depois remarcado para o dia 29. A defesa de um dos réus, porém, pediu o desaforamento do julgamento, alegando que a repercussão midiática e a comoção social em Rio do Sul poderiam comprometer a imparcialidade dos jurados. Em fevereiro de 2026, a 3ª Câmara Criminal do TJSC acatou o pedido por maioria de votos e transferiu o júri para a comarca da Capital, em Florianópolis. A nova data ainda não foi definida.

Ismael Schelter disse que a família vai até Florianópolis para acompanhar o julgamento. “Nós vamos pra Florianópolis com o maior prazer. Jamais vamos recuar pela morte da minha filha. A pessoa quando não teme, não deve. Por que recorrer? Qual o motivo?”, questionou.

Conforme o TJSC, a decisão de desaforamento é passível de recurso. O Ministério Público e a assistente de acusação da família ainda avaliam se vão recorrer. Até a última atualização, não havia previsão para a realização do júri.

Fonte: Jornal Razão