Ameaça de paralisação dos caminhoneiros, veja o que se sabe até agora

Caminhoneiros (Miguel Schincariol/Getty Images)

A ameaça de uma nova greve de caminhoneiros voltou ao radar do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio à alta do diesel e à insatisfação com o valor dos fretes. Embora a paralisação ainda não tenha sido confirmada, lideranças da categoria afirmam que o movimento segue em “estado de alerta”. 

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que os motoristas aguardam a formalização das medidas anunciadas pelo governo antes de bater o martelo. 

A decisão final será tomada em assembleia nacional marcada para esta quinta, 19, às 16h, em Santos, São Paulo.

Por que os caminhoneiros ameaçam parar?

O principal motivo da mobilização é a disparada no preço do diesel, pressionada pela instabilidade no Oriente Médio e seus impactos no petróleo.

A categoria também reclama do descumprimento da tabela mínima de frete — uma das principais garantias econômicas dos caminhoneiros.

Segundo lideranças, muitas empresas seguem pagando abaixo do piso obrigatório.

O que o governo propôs até agora?

O governo federal apresentou um pacote de medidas para tentar conter a paralisação: reforço na fiscalização da tabela de frete pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); possibilidade de barrar empresas infratoras de contratar transporte; proposta para que estados zerem o ICMS sobre o diesel; e compensação de 50% das perdas de arrecadação, estimadas em R$ 1,5 bilhão. 

O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o governo pretende agir com mais rigor contra o descumprimento das regras.

O que falta para a greve ser confirmada?

Apesar das negociações, os caminhoneiros ainda consideram as medidas insuficientes — ao menos até que sejam detalhadas oficialmente.

“Vamos aguardar ser publicado no Diário Oficial para ver de que jeito será feito esse travamento”, disse Landim.

A assembleia desta quinta será decisiva para avaliar se as propostas atendem às demandas da categoria.

Quais seriam os impactos de uma paralisação?

Caso a greve seja confirmada, o país pode enfrentar efeitos semelhantes aos de 2018: desabastecimento de combustíveis, falta de produtos em supermercados, bloqueios em rodovias e aumento de preços. 

Além dos impactos econômicos, uma paralisação prolongada pode gerar desgaste político relevante para o governo em ano pré-eleitoral.

O fantasma da greve de 2018

A ameaça de uma nova paralisação remete diretamente à crise de 2018, quando uma greve de dez dias paralisou o país, provocou desabastecimento generalizado e deixou efeitos duradouros na economia. Naquele episódio, a mobilização foi a maior da história da categoria e superou protestos anteriores, como os de 2015 e as paralisações regionais de 1979. 

O estopim da greve de 2018 foi o aumento acelerado do preço do diesel. Entre julho de 2017, quando a Petrobras passou a adotar uma política de preços alinhada ao mercado internacional, e maio de 2018, o combustível subiu 56,5% nas refinarias, segundo cálculos do setor. O valor saltou de cerca de R$ 1,50 para R$ 2,34 por litro, sem considerar impostos. 

Para os caminhoneiros, o impacto foi direto. O diesel representa uma fatia relevante dos custos da atividade, cerca de 42% do frete, e o aumento repentino tornou a operação economicamente inviável para muitos profissionais. Sem conseguir repassar esse custo para o valor cobrado pelo transporte, a categoria iniciou bloqueios em rodovias de todo o país a partir de 21 de maio de 2018. 

Em poucos dias, os efeitos se espalharam. Postos ficaram sem combustível, supermercados registraram prateleiras vazias e aeroportos enfrentaram cancelamentos de voos por falta de querosene de aviação. Indústrias reduziram ou suspenderam atividades, e serviços básicos passaram a operar com restrições. 

O impacto econômico foi significativo. A paralisação retirou 1,2 ponto porcentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2018, segundo estimativas do Ministério da Fazenda à época. Setores produtivos acumularam prejuízos bilionários, e o governo foi pressionado a agir rapidamente. 

Fonte: Veja