Jovens do Paraná confessam homicídio de empresário em SC, motivação seria vingança por abuso

(Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Um empresário de 47 anos foi assassinado a facadas dentro da própria casa e teve o corpo carbonizado no interior do próprio veículo na manhã desta segunda-feira (23) em Laguna, no Sul de Santa Catarina. Horas depois, a Delegacia de Investigações Criminais (DIC) da cidade prendeu três homens em flagrante que confessaram participação no crime. A Polícia Civil apura ainda o envolvimento de outros dois suspeitos, incluindo um adolescente.

A vítima foi identificada como Jair de Bem Figueiredo, conhecido na comunidade como dono de uma lanchonete nas proximidades do Mercado Público de Laguna. Conforme a Polícia Civil, Jair foi esfaqueado dentro de sua residência, no bairro Mar Grosso. Após a morte, os suspeitos utilizaram o carro da vítima, um GM Tracker branco, para transportar o corpo até a localidade da Pedra do Frade, onde atearam fogo no veículo na tentativa de destruir provas e dificultar a identificação da autoria.

A investigação ficou a cargo do delegado Rubem Teston, que coordenou pessoalmente as diligências desde as primeiras horas da manhã.

Sangue pela casa e sinais de luta

Por volta das 8h15, a equipe da DIC foi acionada após a localização do veículo incendiado com um corpo em avançado estado de carbonização no interior. A partir da identificação das placas, os policiais chegaram até a mãe de Jair, proprietária do carro, que informou que o filho era o usuário habitual do automóvel.

A equipe seguiu até a residência de Jair, na Avenida Engenheiro Gafre, nº 76, bairro Mar Grosso. No local, o portão e a porta principal estavam abertos. No interior da casa, os policiais encontraram diversas manchas com características de sangue espalhadas pela cozinha, porta de acesso e garagem, além de sinais evidentes de luta e agressão.

A cena foi imediatamente isolada e a Polícia Científica foi acionada para a realização dos exames periciais.

Extorsão com imagens íntimas e alegação de abuso

O irmão da vítima compareceu à residência acompanhado de uma familiar. Ambos relataram à polícia que Jair vinha sofrendo ameaças nos dias anteriores ao crime.

Conforme apurado pela Polícia Civil, a vítima, de 47 anos, mantinha envolvimento de natureza íntima com os suspeitos. Segundo a investigação, os envolvidos teriam obtido imagens íntimas de Jair e passaram a extorquir a vítima, exigindo dinheiro em troca de não divulgar o conteúdo.

“Ele vinha sendo alvo de uma espécie de extorsão por conta de um envolvimento íntimo com algumas pessoas, que saíram de posse de imagens envolvendo a intimidade dessa vítima e tentavam obter dinheiro com isso”, explicou o delegado Rubem Teston.

Durante os interrogatórios, um dos suspeitos, de 19 anos, alegou que a motivação do crime seria uma retaliação por supostos abusos sofridos no passado. Segundo a versão apresentada, o grupo pretendia inicialmente “dar uma lição” na vítima, mas a situação escalou para o assassinato por esfaqueamento dentro da residência.

Apesar das alegações dos suspeitos sobre a motivação, a Polícia Civil destaca que a dinâmica dos fatos, a violência empregada e a tentativa de ocultação do cadáver reforçam a gravidade concreta da conduta.

Trio preso em flagrante

De posse das informações sobre os possíveis autores, a equipe da DIC localizou os três suspeitos em um apartamento no Residencial Isabel Prudêncio, no bairro Esperança, em Laguna. Os presos foram identificados como Eduardo Almeida Albach, de 24 anos, natural de Ponta Grossa (PR); Kahel Henrique Schiebelbein Rechetzki, de 20 anos, também de Ponta Grossa; e Murilo Pereira Machado, de 19 anos, natural de Porto Alegre (RS).

Confrontados com os elementos reunidos pela investigação, os três confessaram a participação no crime e prestaram esclarecimentos que permitiram a reconstrução da dinâmica do homicídio. Aparelhos celulares foram apreendidos para posterior análise pericial.

Foi lavrado o auto de prisão em flagrante pelos crimes de homicídio qualificado, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme o artigo 121 do Código Penal, e ocultação de cadáver, previsto no artigo 211. Todos tiveram seus direitos constitucionais assegurados.

Mais dois suspeitos identificados

No curso da investigação, a Polícia Civil identificou outros dois possíveis envolvidos, incluindo um adolescente, cujas condutas são objeto de apuração complementar.

“Nós já estamos identificando os demais autores e partícipes do crime. Logo teremos mais informações”, afirmou o delegado Rubem Teston. A DIC de Laguna informou que as diligências prosseguem de forma ininterrupta.

Fonte: Jornal Razão