Diesel vira estratégia e produtores chegam a estocar 3 mil litros no Paraná

Foto: G1

Produtores rurais têm estocado óleo diesel para garantir ter combustível suficiente para operar o maquinário agrícola nesta época de colheita. Em Prudentópolis, na região central do Paraná, há propriedades com reservatórios de três mil litros cheios devido às inseguranças geradas pela guerra no Oriente Médio.

Segundo os trabalhadores ouvidos pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, não chegou a faltar diesel na cidade - mas, em parte, devido aos reservatórios particulares mantidos nas propriedades. Eles relataram problemas no abastecimento, como entregas adiadas, volumes entregues menores que os pedidos, entre outras questões.

Os problemas têm feito produtores terem que analisar quais serviços são mais necessários para definir quais maquinários devem receber o combustível disponível e quais devem esperar as novas remessas.

O foco têm sido as colheitas. Afinal, como lembra o agricultor Edemilson Roberto Rickli, se elas não forem feitas no tempo correto o que foi plantado pode "passar do ponto" e a produção pode ser perdida.

Aliado aos problemas de abastecimento, o aumento nos preços dos combustíveis são outro motivo de preocupação do setor. O agricultor Augustinho Andreatto estima que o diesel seja a segunda maior despesa das atividades agrícolas, atrás apenas dos fertilizantes.

Por isso, afirma o agricultor João Elísio Smulek, a alta do preço do diesel impacta no custo final da produção - o que afeta tanto o produtor quanto o resto da cadeia, como a indústria e o consumidor final.

"No meu caso, cheguei a pagar R$ 2 a mais por litro de diesel, mas eu ouvi falar de alguns colegas que tiveram que adquirir diesel por R$ 8,50 o litro, sendo que antes a gente pagava R$ 5,50", afirma.

O Governo do Paraná anunciou nesta terça-feira (31) que vai aderir ao programa do Governo Federal para conter o preço do óleo diesel - e, com isso, o estado vai dividir com a União um subsídio de até R$ 1,20 por litro de diesel importado, ficando cada parte responsável por R$ 0,60.

A participação no programa é voluntária e a medida deve valer inicialmente por dois meses, em abril e maio de 2026, a partir da publicação de uma medida provisória.

Não há previsão de quando a medida deve refletir nos preços cobrados aos consumidores finais.

De acordo com a Secretaria de Estado da Fazenda (SEFA), o impacto estimado nas contas públicas será de R$ 77,5 milhões por mês, somando cerca de R$ 155 milhões ao longo dos dois meses de vigência previstos.

Fonte: G1