Uma megaoperação da Polícia Civil de Mato Grosso contra uma organização criminosa responsável por planejar e executar o maior assalto já registrado no estado, em abril de 2023, terminou com a prisão do chefe da logística do crime nessa quinta-feira (9/4).
A terceira fase da Operação Pentágono foi deflagrada para cumprir ordens judiciais no âmbito das investigações sobre o roubo a uma empresa transportadora de valores, na modalidade “domínio de cidades” ou “Novo Cangaço”
Com organização extrema e uma ação repleta de complexidade, o grupo criminoso contou com a participação de, pelo menos, 50 pessoas no crime e com a existência de lideranças de comando e financeiras, bem como com a divisão em núcleos dentro da estrutura.
No dia 9 de abril daquele ano, 20 criminosos fortemente armados sitiaram Confresa, invadiram o quartel da Polícia Militar, renderam policiais e incendiaram o local, enquanto outras frentes da quadrilha destruíram veículos e prédios públicos, criando um clima de terror entre a população local.
O principal alvo da ação era a transportadora de valores Brinks. Utilizando explosivos de alta potência, o grupo criminoso tentou arrombar o cofre, mas não teve êxito e foi forçado a fugir, abandonando os veículos e parte do material utilizado na ação.
As investigações apontaram que o grupo criminoso era altamente organizado em seis núcleos específicos:
De comando e financeiro.
De planejamento e logística.
De execução.
De apoio e suporte no estado do Pará.
De apoio e suporte no estado do Tocantins.
De locação veicular, responsável pelo apoio durante a fuga.
As atividades criminosas, desempenhadas em várias cidades de diversos estados do Brasil, tinham como objetivo principal consumar com sucesso a empreitada criminosa mediante o “domínio de cidades”.
O financiamento
Os valores ilícitos movimentados pelos integrantes do grupo criminoso eram oriundos de outras ações de grande magnitude, como roubos a bancos e a transportadoras de valores ocorridos no Brasil ao longo dos últimos anos.
A investigação apurou que vários investigados e armas de fogo apreendidas integraram outros assaltos, além de inúmeras ações de médio e pequeno porte que serviram como crimes antecedentes para a posterior lavagem de dinheiro operada pela organização criminosa.
Segundo o delegado titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Gustavo Belão, esta fase final da operação é um marco para a Polícia Civil.
“São criminosos que planejaram, financiaram e executaram a logística do terror vivenciado naquele dia na cidade de Confresa, sendo que pelo menos quatro alvos estiveram na linha de frente do crime. O trabalho demonstra que não há fronteiras para a Justiça, seja ele o financiador do Sudeste ou o financiador no Norte, todos serão responsabilizados”, destacou.
Extrema violência
As investigações revelaram que o crime ocorreu na modalidade “domínio de cidade”, que se caracteriza pela violência instrumental e performática empregada na ação, quando grupos criminosos desafiam a capacidade das instituições de garantir a segurança pública no município alvejado, e consiste no planejamento, recrutamento, preparação, invasão e ocupação da cidade-alvo.
O ataque em Confresa foi marcado por extrema violência, com uso de armamento pesado, explosivos, incêndios e restrição da liberdade de vítimas, além de ações coordenadas para dificultar a resposta das forças de segurança.
Operação Pentágono
A primeira fase da investigação, deflagrada logo após o crime, resultou na prisão de três dos envolvidos nos estados do Pará e Tocantins.
Naquela oportunidade, as equipes da GCCO e da Regional de Vila Rica chegaram à identificação das residências, na cidade paraense de Redenção, que serviram de apoio ao grupo.
Dezoito integrantes do bando criminoso que participaram do assalto morreram nos dias subsequentes ao crime, durante as buscas realizadas na região do município de Pium, no estado do Tocantins, no âmbito da Operação Canguçu.
Em outubro de 2023, com a deflagração da segunda fase da operação, a GCCO cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em seis estados contra membros do grupo criminoso.
Como resultado das buscas, foram apreendidos um fuzil, 360 munições de calibres variados, eletrônicos e veículos utilizados pela quadrilha.
A última ação
A operação visou cumprir 97 ordens judiciais, sendo 27 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão, além do bloqueio de 40 contas bancárias, expedidos pela 3ª Vara Criminal de Barra do Garças.
Além do cumprimento dos mandados judiciais contra os investigados, a operação busca reforçar a responsabilização penal dos envolvidos, desarticular a estrutura do grupo criminoso, recolher elementos adicionais de prova e promover a desarticulação financeira dos criminosos, avançando na identificação e no bloqueio de bens adquiridos com recursos ilícitos.
Fonte: Metropoles
Foto: Material cedido ao Metrópoles

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