Clínica de recuperação é alvo de denúncia por tortura, cárcere privado e maus-tratos a pacientes, no Paraná

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O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou criminalmente os donos, o coordenador e outros seis envolvidos em uma clínica de recuperação no bairro Lago Parque, em Londrina, por crimes graves contra pacientes. Segundo a Promotoria, a clínica, que deveria atender apenas dependentes químicos, mantinha idosos, pessoas com transtornos mentais e com deficiência em condições ilegais e degradantes. Cinco pessoas já estão presas e o proprietário está foragido.

Durante uma fiscalização realizada pela 24ª Promotoria de Justiça, foi constatada a presença de diversos pacientes que não poderiam estar internados no local, como idosos e pessoas com deficiência. A promotora Susana Broglia Feitosa de Lacerda explicou que, após a visita, a Vigilância Sanitária interditou a clínica e todos os pacientes foram encaminhados para suas famílias ou para tratamento adequado. “Foram identificados tratamentos indevidos e graves violações a direitos humanos”, destacou a promotora.

A denúncia, aceita pela Justiça, aponta que a clínica realizava internações forçadas, conhecidas como “resgates”, sem autorização judicial ou laudo médico. Os internos eram submetidos a violência física, como golpes de estrangulamento (“mata-leão”), e sedados com medicamentos sem prescrição. Além disso, o MP-PR relata que os pacientes eram submetidos a intenso sofrimento físico e mental, caracterizando tortura como forma de disciplina.

Pelo menos 25 pessoas foram vítimas dos crimes. Entre os réus, a sócia da clínica e mais quatro pessoas estão presas preventivamente. O proprietário segue foragido. Os crimes denunciados incluem sequestro, cárcere privado qualificado, tortura, adulteração de medicamentos, falsidade ideológica, falsificação de documentos e exercício ilegal da medicina.

Após a interdição da clínica, o caso segue sendo acompanhado pelo Ministério Público e pelas autoridades de saúde. O MP reforça a importância de denúncias e da fiscalização constante em instituições de saúde e acolhimento.

Fonte: CGN