Novos laudos periciais emitidos dez meses após a execução de quatro homens em Icaraíma, na região Noroeste do Paraná, apontam indícios de que as vítimas foram torturadas antes de serem assassinadas. O crime ocorreu em agosto de 2025, e os quatro corpos haviam sido encontrados enterrados dentro de uma caminhonete em uma área rural do município. A constatação apresentada pela defesa que representa a família das vítimas traz uma reviravolta para o caso, já que as linhas iniciais de investigação indicavam que as execuções teriam ocorrido diretamente e de forma rápida no interior do próprio veículo.
A hipótese de que o grupo sofreu agressões severas antes da morte ganhou força após a divulgação de novos exames detalhados e de fotografias anexadas do local do crime. Diante dos novos elementos trazidos pela perícia, a advogada Josiane Monteiro, que representa as famílias de três das quatro vítimas, confirmou que a defesa irá solicitar oficialmente um laudo complementar para que a qualificadora de tortura seja formalmente incluída no inquérito policial e na futura denúncia do Ministério Público.
"Nós fizemos o pedido em juízo para que fossem anexadas as fotos cadavéricas, já que nós sabíamos que essas fotos haviam sido feitas no momento que os corpos chegaram no Instituto Médico Legal. Pois bem, a nossa dúvida era de que forma que as vítimas morreram, porque a polícia estava muito convicta de que elas tinham morrido já no momento da emboscada. E agora, quando foram anexadas as fotos cadavéricas, nós tivemos ali de forma muito clara, com base nas lesões que nós visualizamos, que aquilo que a gente pensava desde o início realmente se concretizava, de que as vítimas não tinham sido mortas dentro do veículo", disse a advogada em entrevista à Band News.
O histórico da apuração conduzida pela Polícia Civil do Paraná mostra que as vítimas Robishley de Oliveira, Rafael Marascalchi e Diego Henrique Afonso foram originalmente contratadas por Alencar Giron, a quarta vítima, para realizar a cobrança de uma dívida de R$ 255 mil decorrente da venda de uma propriedade na cidade paranaense. O grupo havia partido de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, com destino ao Noroeste do Paraná e ficou desaparecido por quatro dias até a localização dos corpos ocultados no veículo enterrado.
"Agora, nós estamos pedindo um laudo complementar, já que os peritos foram omissos com relação a isso. Nós estamos pedindo, agora que nós tivemos acesso, nós estamos vendo as fotos, estamos vendo as lesões. Então, nós estamos pedindo um laudo complementar agora para que seja quesitado também, seja relatado todas as lesões que não foram relatadas, e sim, lá no quesito, que seja respondido de forma clara e objetivo o quesito da tortura, porque daí o homicídio passa a ter mais uma qualificadora, que seria a qualificadora da tortura", acrescentou a advogada à Band News.
As autoridades policiais mantêm as buscas pelos principais suspeitos de planejar e executar a chacina, identificados como Antonio Buscariollo e seu filho, Paulo Ricardo Buscariollo. Apontados pela Polícia Civil como os executores da ação criminosa motivada pelo desacordo financeiro, ambos continuam foragidos da Justiça desde a época da descoberta do crime.
Fonte: TN
Foto: PM-PR

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