Levantamento do MP revela 497 mortes em confrontos policiais no Paraná

Foto: tnonline

Balanço divulgado nesta terça-feira (16) pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) aponta que 497 pessoas morreram durante confrontos com forças estatais de segurança no estado. O levantamento revela que os óbitos foram registrados em 533 confrontos que deixaram outros 126 feridos em 138 municípios paranaenses. Em comparação com 2024, que teve 433 ocorrências (com 412 mortos e 109 feridos), os números apresentaram crescimento de 23,1%: 20,6% nas mortes e 15,6% de pessoas feridas.

Na região de Apucarana, norte do estado, 19 pessoas morreram em confrontos. Conforme o MP, os óbitos foram em Arapongas (5), Apucarana (2), Califórnia (2), Lunardelli (2), Arapuã (1), Grandes Rios (1), Jandaia do Sul (1), Kaloré (1), Rio Bom (1), Rio Branco do Ivaí (1), São João do Ivaí (1) e Sabáudia (1).

Entre as atribuições do Ministério Público está o controle externo da atividade policial, o que inclui o acompanhamento dos dados relativos aos confrontos. Para tanto, desde 2024, o MPPR estabeleceu novos parâmetros para a análise e tratamento desses números (dentro dos preceitos estabelecidos pelo Conselho Nacional do Ministério Público e pela Resolução 7.552/2024 da Procuradoria-Geral de Justiça), abordando os aspectos preventivo e repressivo e buscando uma compreensão mais aprofundada do fenômeno, suas causas, possíveis problemas e soluções. O estudo é elaborado de forma conjunta no MPPR pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Considerando a importância das informações sobre cada caso concreto, outro aprimoramento da atuação do Ministério Público do Paraná em relação ao tema diz respeito à implementação de um canal de comunicação específico entre a instituição e as vítimas ou familiares de vítimas das ocorrências com as forças de segurança. A ferramenta já está disponível nos canais de atendimento do site do MPPR e permitirá ampliar as possibilidades de registro, o acompanhamento e a qualificação das informações recebidas pelas Promotorias responsáveis pela apuração, buscando o fortalecimento dos instrumentos de transparência e a resposta adequada às demandas da sociedade.

É importante destacar que, desde 2024, a base de dados passou a incluir as ocorrências que resultaram em lesões corporais e não apenas em mortes, ampliando o escopo de análise (mudança que deve ser levada em consideração em eventuais comparações com períodos anteriores). O atual sistema inclui informações como, por exemplo, os tipos de intervenção que resultaram em morte ou lesão, o período de cada ocorrência e os fatos antecedentes ao confronto (como o disparo ou saque de arma de fogo pela vítima).

Com isso, é possível identificar características importantes, como o fato de que, em 2025, em 63,22% dos casos que resultaram em morte ou lesão corporal, a atuação policial teria ocorrido durante um crime em curso, ou seja, quando os agentes estatais de segurança abordaram pessoas que estavam cometendo crimes. Outro recorte diz respeito aos meios empregados pelas pessoas vitimadas. Em 74,10% das 533 ocorrências (395 casos), a vítima estaria com uma arma de fogo, e em 13,88% das situações (74 casos), a vítima portaria uma arma branca.

Tendência nacional – Um dos aspectos que ganhou destaque na recente metodologia de análise dos dados é a relação dos números de mortes ou lesão corporal com outros dados utilizados pela área de segurança pública, especialmente o de Mortes Violentas Intencionais (MVI) – indicador que reúne todos os registros de homicídios dolosos, latrocínios, feminicídios, lesões corporais seguidas de morte, roubo com resultado morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora dele (morte por intervenção legal de agente do estado).

Tendência nacional – Um dos aspectos que ganhou destaque na recente metodologia de análise dos dados é a relação dos números de mortes ou lesão corporal com outros dados utilizados pela área de segurança pública, especialmente o de Mortes Violentas Intencionais (MVI) – indicador que reúne todos os registros de homicídios dolosos, latrocínios, feminicídios, lesões corporais seguidas de morte, roubo com resultado morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora dele (morte por intervenção legal de agente do estado).



Fonte: TN