Um delegado da Polícia Federal foi detido na segunda-feira (13), em Londrina, no Norte do Paraná, sob as acusações de desacato contra policiais militares durante uma blitz de trânsito e de injúria racial contra funcionários negros de uma locadora de veículos.
O policial, que atua na corporação há cerca de 20 anos e está lotado na delegacia londrinense há 18 anos, foi conduzido ao distrito policial duas vezes no mesmo dia para prestar depoimento e acabou liberado. A Polícia Federal confirmou que já instaurou um procedimento preliminar para apurar administrativamente a conduta do servidor.
A sequência de episódios que motivou a detenção do delegado teve início em uma empresa de locação de automóveis na cidade de Londrina. Segundo as investigações, o delegado demonstrou descontentamento com as condições do veículo locado e com o atendimento recebido, passando a proferir ofensas racistas contra os funcionários negros que o atendiam, atacando-os diretamente em decorrência da cor de suas peles.
A denúncia sobre o crime de injúria racial foi formalizada pelas vítimas logo após o tumulto, o que levou os policiais militares a conduzirem o delegado pela segunda vez ao distrito policial, pouco depois de ele ter sido ouvido e liberado pela primeira ocorrência daquela tarde.
O primeiro incidente havia ocorrido minutos depois da confusão na locadora, por volta das 12h, quando o delegado se deparou com um bloqueio viário realizado pela Polícia Militar na Avenida Ayrton Senna. Irritado com a lentidão do tráfego provocada pela fiscalização, o suspeito, que estava acompanhado de sua mãe, passou a questionar de forma agressiva a legalidade da blitz e a idoneidade dos policiais de plantão.
Conforme o boletim de ocorrência registrado pela PM, ao receber ordem para se identificar, ele se recusou a apresentar documentos ou sua credencial funcional sob a alegação de estar em período de férias, hostilizando verbalmente a equipe militar, o que motivou sua primeira condução por desacato.
Em depoimento oficial prestado às autoridades de segurança, o delegado negou ter questionado a legalidade da operação policial ou a competência dos militares de plantão, sustentando que apenas manifestou descontentamento com o congestionamento gerado pelo bloqueio viário. Em nota oficial enviada à imprensa, a defesa técnica declarou que os acontecimentos não ocorreram da maneira descrita pelas supostas vítimas e que a verdade será plenamente demonstrada no decorrer das investigações.
A representação jurídica do delegado pontuou ainda que chama a atenção a rapidez com que acusações sucessivas surgiram contra o cliente, assegurando que todos os detalhes serão devidamente esclarecidos no processo judicial.
Fonte: Tnonline
Foto: Ademir dos Santos/Ric RECORD

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