Homem suspeito no desaparecimento de primas no Paraná afirmou ter "feito besteira" antes de desaparecer

Foto: Reprodução / Redes Sociais

O filho do principal suspeito do desaparecimento das primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, de 18 anos, relatou à Polícia Civil que o pai, Clayton Antonio da Silva Cruz, conhecido como Cleitinho do Pó, teria dito que cometeu "uma besteira" e que por isso precisaria ficar fora por um tempo. A revelação ocorreu durante uma diligência em Mandaguari (PR) e foi confirmada pela advogada da família das vítimas, Josiane Monteiro Bichet, em entrevista nesta quinta-feira (16).

A fala do filho vem de encontro com a principal linha de investigação da Polícia Civil, que trata o caso como duplo homicídio. "Isso leva a crer que o Clayton tenha tirado a vida da Letycia e da Sttela", afirmou a advogada. O suspeito está foragido desde 29 de abril, quando a Justiça decretou sua prisão preventiva.

Rastreio de celular leva polícia a novo local de buscas

As investigações apontam para uma nova área de buscas. Segundo a advogada, o trabalho até então concentrado em Paraíso do Norte foi redirecionado para uma cidade próxima, após análise dos dados de conexão do celular do suspeito com torres de telefonia.

"O novo local fica em uma cidade próxima, bate com a estação rádio base onde conectou o celular do suspeito", explicou Josiane. As buscas devem ser retomadas nos próximos dias.

Cronologia: Letycia e Sttela desapareceram em abril

20 de abril – Por volta das 22h39, Letycia e Sttela são vistas saindo de Cianorte em uma caminhonete preta com Clayton, que Letycia conhecia pelo nome falso de "Davi". Elas seguem para Paranavaí, onde havia uma festa.

21 de abril – Na madrugada, o trio é filmado em uma boate em Paranavaí. Imagens de segurança e testemunhas confirmam uma discussão intensa entre Clayton e as primas dentro da casa noturna. Segundo testemunhas, Clayton teria se aproximado de Sttela para um contato íntimo, sendo rejeitado mais de uma vez. Após o desentendimento, Clayton saiu pela entrada principal. Minutos depois, Letycia e Sttela deixaram o local por uma saída de emergência. A polícia acredita que elas tenham entrado novamente na caminhonete do suspeito para retornar a Cianorte, já que dependiam da carona. As jovens não deram mais notícia às famílias.

22 e 23 de abril – Clayton retorna a Cianorte sozinho, sem a caminhonete. Ele usa uma moto para sair da cidade novamente, sem o celular.

23 de abril – A família registra o desaparecimento na Polícia Civil.

29 de abril – A Justiça decreta a prisão temporária de Clayton, que não é encontrado e se torna foragido.

30 de abril – A Polícia Civil revela que Clayton usava nome falso ("Davi") em Cianorte e já era foragido por um crime de roubo cometido em 2023, em Apucarana. A caminhonete usada por ele era clonada.

11 de maio – Clayton é visto em Mandaguari, no Jardim Boa Vista, bairro onde nasceu e onde mora sua mãe. Uma testemunha o reconheceu passando de moto pela rua. Ele teria procurado um agiota na cidade para pedir R$ 25 mil emprestado, supostamente para fugir para outro estado.

18 de maio – A ex-companheira de Clayton, de 23 anos, é presa no interior de São Paulo suspeita de auxiliar na fuga do foragido.

15 de junho – A Polícia Civil realiza buscas na área rural de Paraíso do Norte, com uso de drones e radar de solo.

16 de julho – A advogada da família revela o depoimento do filho de Clayton e anuncia o novo local de buscas, definido a partir do rastreio do celular do suspeito.

17 de julho – O desaparecimento das primas completa 87 dias.

Cleitinho do Pó pode estar no Paraguai

Clayton pode estar escondido no noroeste do Paraná ou ter fugido para o Paraguai, país com o qual mantinha contatos frequentes, segundo a polícia. A caminhonete usada no dia do crime foi ocultada por ele nos três dias seguintes ao desaparecimento e pode estar em outro país.

Denúncias anônimas podem ser feitas via Disque-Denúncia

Informações sobre o paradeiro do suspeito ou das jovens podem ser repassadas anonimamente pelos telefones 181 (Disque-Denúncia), 190 (Polícia Militar) e 197 (Polícia Civil).



Fonte: Tnonline