cultura tem papel estratégico na economia regional e é uma das principais fontes de receita com exportações.
Embora a Europa continue como principal destino da uva brasileira, o mercado dos EUA é considerado estratégico pelos produtores devido à remuneração. Segundo o pesquisador João Ricardo Lima, da Embrapa Semiárido, os compradores americanos pagam mais por frutas de maior qualidade.
“O mercado americano é importante em termos de preço. Essas uvas pagam muito bem nos Estados Unidos, mais do que na Europa. Então, quando se perde esse mercado, o efeito para o produtor é maior”, afirma.
O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR), Jailson Lira, afirma que a abertura de novos mercados reduziu parte do impacto, mas não eliminou a preocupação do setor. Segundo ele, o momento ainda é de "muita tensão" entre os produtores.
Uma das principais preocupações envolve emprego e renda na região. Segundo o sindicato, a cadeia da uva gera cerca de 70 mil empregos diretos e indiretos no Vale do São Francisco, e aproximadamente metade da mão de obra é formada por mulheres.
Apesar das incertezas, o setor mantém a expectativa de uma solução negociada antes de setembro, quando começa a principal janela de embarque de frutas do Vale do São Francisco para os EUA.
Outros setores também sentem os efeitos
Embora a fruticultura esteja entre as cadeias afetadas, a lista de produtos atingidos pela sobretaxa dos EUA inclui outros segmentos do agronegócio, como arroz, madeira e açúcar.
Em nota enviada ao g1, a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) informou que participou de audiências públicas em Washington para defender que o arroz brasileiro tem papel complementar no abastecimento dos EUA, já que a produção local não seria suficiente para atender toda a demanda.
Mas a exposição ao mercado americano é menor do que em outras cadeias. Os EUA não estão entre os principais destinos do cereal brasileiro, que tem como mercados mais relevantes países da América Latina e da África, como Venezuela, México e Senegal.
A entidade avalia que a medida pode aumentar o custo do alimento para os consumidores americanos, caso a tarifa seja repassada aos preços finais.
O g1 também conversou com Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que afirmou que a tarifa sobre ovos e carne suína preocupa o setor, mas destacou que o impacto prático varia entre os produtos.
No caso dos ovos, a nova tarifa tem efeito limitado porque o Brasil já havia reduzido significativamente as exportações para os EUA após a normalização da crise sanitária provocada pela gripe aviária.
No ano passado, o Brasil bateu recorde de vendas aos americanos justamente porque o país enfrentava uma redução da oferta interna. No caso dos ovos, cerca de 1% da produção nacional é exportada, em média.
Na carne suína, o mercado americano também tem participação reduzida. Os embarques, que chegaram a cerca de 60 mil toneladas em um período anterior, caíram para uma média anual próxima de 3 mil toneladas devido a barreiras comerciais.
Hoje, os EUA sequer estão entre os 10 principais destinos das exportações brasileiras do produto.
Por outro lado, a ABPA considerou positiva a decisão de manter a tilápia fora da lista de produtos sobretaxados.
“A decisão de manter a tilápia fora da medida demonstra que há espaço para o diálogo técnico e para a construção de soluções equilibradas no âmbito das relações comerciais entre os dois países”, afirmou a entidade.
O plano do governo
Para apoiar as empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA, o governo federal anunciou a retomada de medidas voltadas aos setores prejudicados pelas novas barreiras comerciais, mas ainda não detalhou como elas funcionarão.
A iniciativa prevê linhas de crédito para capital de giro, financiamento de investimentos e ações para ajudar exportadores a redirecionar produtos para outros mercados.
A ApexBrasil prepara um plano de contingência para agosto, com investimento de R$ 130 milhões em ações de diversificação comercial. A estratégia prevê ampliar a presença de produtos brasileiros em mercados da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, além de fortalecer as vendas para o Oriente Médio.
O governo também pretende aproveitar as oportunidades abertas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia para ampliar os destinos das exportações brasileiras e reduzir a dependência do mercado americano.
Fonte:
G1
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