A União Europeia não deve retomar as compras de carne bovina brasileira antes de dois anos. A informação foi publicada pelo g1 nesta segunda-feira (3) e tem como base uma declaração do pecuarista André Bartocci, presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Carne Bovina, órgão consultivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Bartocci confirmou à reportagem do Canal Rural que a informação foi repassada durante uma reunião realizada há cerca de duas semanas com integrantes do Ministério da Agricultura. De acordo com ele, o prazo de aproximadamente dois anos está relacionado ao ciclo produtivo dos bovinos.
A avaliação da União Europeia é que, caso novos protocolos sobre o uso de antimicrobianos passem a ser adotados imediatamente, os animais só estariam aptos a atender plenamente às exigências do bloco após cerca de 24 meses, tempo necessário para completar o ciclo de produção.
O pecuarista lembra que, até então, o protocolo para exportação de carne para a União Europeia exigia a suspensão do uso de antimicrobianos nos animais por cem dias. Agora, o bloco econômico quer que a regra seja aplicada por toda a vida do animal.
“É bom lembrar que essa tecnologia [uso de antimicrobianos] é importante para a pecuária, mas grande parte da produção brasileira não a utiliza, especialmente quem exporta para a Europa”, aponta Bartocci.
A questão, segundo o pecuarista, é que não temos como comprovar essa realidade, por falta de certificação.
André Bartocci acredita, no entanto, que ainda há espaço para negociar com a União Europeia, buscando, por exemplo, um prazo de adaptação para o novo protocolo. Para corroborar com essa ideia, pesaria o fato de o Reino Unido, que em geral mantém padrões sanitários próximos aos da UE, ter declarado que vai permanecer adquirindo a carne brasileira.
“entedemos que há pressão fortíssima de lobbies de produtores europeus e de políticos que os representam [para suspender as importações de carnes do Brasil]. Mas, no fundo, não faz muito bem para a Europa restringir uma carne que é de qualidade e que atende seu consumo”, diz o pecuarista e presidente da Câmara Setorial.
Veto entra em vigor em setembro
O impasse ocorre às vésperas da entrada em vigor da decisão europeia de suspender as importações de produtos brasileiros de origem animal. A medida começa a valer em 3 de setembro e atinge principalmente a carne bovina, a carne de frango e o mel, principais itens exportados pelo Brasil ao bloco.
O veto foi anunciado em maio, quando a União Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados aptos a exportar produtos de origem animal conforme as regras europeias para o uso de antimicrobianos na pecuária.
Embora o bloco não tenha apontado irregularidades na qualidade da carne brasileira, as autoridades europeias afirmam que o país ainda não apresenta informações e garantias suficientes de que os controles sobre o uso dessas substâncias atendem aos padrões exigidos pela legislação comunitária.
Brasil avalia recorrer à OMC
Diante do impasse, o governo brasileiro considera levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). A possibilidade foi confirmada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
Segundo o Itamaraty, caso as negociações bilaterais não avancem até a data de entrada em vigor da medida, o Brasil poderá acionar os mecanismos de solução de controvérsias da OMC, além das cláusulas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia.
Fonte: Canal Rural
Foto: Pixabay/arte Canal Rural

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