Nova projeção da Conab aponta crescimento na colheita de grãos

Foto: Globo Rural

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para cima a projeção para a safra 2025/26 de grãos, confirmando a expectativa de recorde. O levantamento divulgado nesta quinta-feira (13/8) aponta que o volume colhido será de 360,8 milhões de toneladas, cerca de 700 mil toneladas a mais em relação ao relatório divulgado em julho. Na comparação com o ciclo 2024/25, o incremento é de 2,4%, o que representa 8,5 milhões de toneladas a mais.

Os números apontam para produção recorde em quatro cultivos: soja, milho, algodão e sorgo. Segundo a Conab, o resultado é influenciado pelo crescimento de 2,1% na área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares. Já a produtividade média nacional das lavouras deve ficar em 4,3 mil quilos por hectare, número próximo ao registrado na safra passada.

Principal cultivo agrícola do país, a soja tem produção estimada em 180,5 milhões de toneladas, número levemente inferior ao registado no levantamento de julho - quando foram estimadas 180,6 milhões de toneladas. Na comparação com a safra passada, houve incremento de 5,2% na produção.

A colheita da safra de verão da oleaginosa já está encerrada, mas ainda há áreas sendo cultivadas em Roraima, Alagoas e Tocantins. Segundo o gerente de acompanhamento de safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, o ajuste na estimativa se deveu ao desempenho da segunda safra em Tocantins.

Já o milho deve atingir produção total de 143 milhões de toneladas somadas as três safras, acima do previsto no relatório anterior. 

Na segunda safra, que é a maior, houve uma leve oscilação para baixo na comparação com o ciclo passado. A terceira safra, semeada no Nordeste, enfrenta condições climáticas adversas e também deve cair na comparação com o ciclo 2024/25.

No algodão, a produção está prevista em 5,8 milhões de toneladas para o produto em caroço, o que resulta em 4,1 milhões de toneladas de pluma. É a maior safra da série histórica da Conab. A colheita já alcançou 43,7% da área.

Já o feijão deve registrar uma produção total próxima a 3 milhões de toneladas, somadas as três safras da leguminosa, volume 3,2% inferior à safra passada. "É uma produção bem ajustada ao consumo interno, mas permite exportar parte dessa produção para alguns países também", afirmou Vasconcellos.

A produção de arroz está prevista em 11,1 milhões de toneladas, queda de 13%, influenciada pela queda de 14% na área de plantio. A colheita está praticamente finalizada, com alguns Estados ainda em cultivo - o que não deve alterar a estimativa, segundo a companhia. A redução na área deve-se principalmente às condições de mercado à época do plantio, que influenciaram a implementação da cultura.

O sorgo confirmou o aumento da sua relevância no cenário nacional. O aumento estimado é de quase 33% na área, com uma produção de 7,4 milhões de toneladas - aumento de 20,7% em relação à safra passada.

O principal fator de preocupação é com relação à safra de trigo. A estimativa da Conab é de que a área recue 20,4%, o que deve ocasionar uma retração de 26,2% na produção, totalizando 5,8 milhões de toneladas. Além disso, há o temor sobre o impacto do El Niño na região Sul, principal produtora do cereal.

"As projeções é que tenhamos chuvas bastante acentuadas pelo menos até outubro, talvez se prorrogando até novembro. Isso, principalmente no Rio Grande do Sul, poderá comprometer a qualidade desse trigo", afirma o presidente da Conab, Silvio Porto.




Fonte: Globo Rural