O número de mortos após as fortes chuvas que atingiram o Nepal subiu para 675, segundo atualização das autoridades de gestão de desastres divulgada neste sábado (29).
O ministro das Finanças do país afirmou que o Nepal precisará de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões (cerca de R$ 20,8 bilhões a R$ 26 bilhões, pela cotação atual) para reconstruir as áreas afetadas pelas enchentes.
O país afirmou que precisa de ajuda estrangeira em áreas técnicas e especializadas, mas não de equipes internacionais de busca e salvamento em geral.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, os socorristas nepaleses conseguem conduzir as operações de resgate por conta própria neste momento.
Nepal pede ajuda para resgates em túneis e identificação de corpos
De acordo com Khanal, o governo solicitou apoio internacional em áreas nas quais o país não possui conhecimento técnico suficiente.
Entre elas estão o resgate de pessoas que podem estar presas em túneis de usinas hidrelétricas, a recuperação da comunicação e do transporte em regiões onde pontes foram destruídas, além da identificação de corpos.
O Nepal também busca ajuda para realizar testes de DNA e ampliar a capacidade de armazenamento de corpos.
"Já fizemos pedidos por serviços especializados e assistência técnica em áreas onde não temos expertise e conhecimento técnico suficientes", afirmou Khanal à Reuters na noite de sexta-feira (28).
Segundo ele, algumas pessoas podem ter ficado presas em túneis de usinas hidrelétricas. O Nepal tem pouca experiência nesse tipo de estrutura e precisa de equipamentos e conhecimento especializado para realizar os resgates.
Equipes de resgate recuperaram corpos em Chitwan e Nawalparasi, nas planícies do Nepal, a cerca de 100 quilômetros do epicentro do desastre.
Khanal afirmou que mais corpos podem ser encontrados nessas áreas e relatou que hospitais estão sobrecarregados e não têm refrigeradores suficientes para armazená-los.
"Mais corpos provavelmente serão recuperados desses locais onde hospitais estão sobrecarregados de corpos e não há geladeiras para armazená-los", disse o ministro.
Pontes e infraestrutura foram destruídas
A enchente devastou áreas próximas à fronteira com a China, destruindo cidades e danificando usinas hidrelétricas.
Segundo autoridades nepalesas, escolas, hospitais, estradas, pontes, usinas hidrelétricas e outras estruturas foram severamente danificados. Cerca de duas dezenas de pontes foram destruídas, afetando o transporte e a comunicação na região atingida.
O governo do Nepal pediu a Índia e China que reabram antecipadamente rotas de transporte e comunicação em áreas afetadas pelo desastre.
Nepal volta atrás e passa a aceitar ajuda internacional
Após inicialmente afirmar que conseguiria conduzir sozinho as operações de busca e salvamento, o governo do Nepal voltou atrás e passou a aceitar ajuda da comunidade internacional para acelerar os resgates.
Na sexta-feira (28), o Ministério das Relações Exteriores havia informado que o país não precisava de equipes estrangeiras para as operações gerais de busca.
Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh haviam manifestado interesse em enviar socorristas, segundo o Kathmandu Post.
Horas depois, porém, as autoridades mudaram de posição diante da dimensão da tragédia. Equipes especializadas da Índia já chegaram ao país para auxiliar nas buscas, enquanto outro grupo é aguardado da China.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, a prioridade continua sendo localizar sobreviventes e alcançar áreas isoladas.
O governo também reiterou que precisará de apoio internacional em operações especializadas, como o resgate de pessoas presas em túneis e, posteriormente, na reconstrução das regiões devastadas.
Reconstrução deve exigir apoio estrangeiro
O ministro afirmou ainda que o Nepal deverá precisar de ajuda internacional na reconstrução e na recuperação das áreas destruídas pelo desastre.
O colapso de uma geleira na quarta-feira (26) liberou uma grande quantidade de rochas, gelo, lama e detritos pelos sistemas fluviais do Himalaia, provocando a enchente na região de fronteira com a China.
Fonte: G1
Foto: Prabin Ranabhat/AFP via Getty Images

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