Produtores do Paraná começam plantio da soja com condições climáticas favoráveis

Foto: Arquivo pessoal/Adriano Vivian

O produtor de soja Adriano Vivian, de Toledo, no oeste do Paraná, decidiu aproveitar o bom tempo e deu início ao plantio de soja nesta sexta-feira (4/9). “O clima está excelente, está sendo uma arrancada espetacular”, comemora.

Ele conta que optou por antecipar o plantio em comparação à safra passada do grão, quando a semeadura foi feita a partir de 14 de setembro, tendo em vista as previsões de um El Niño de maior intensidade.

Produtores rurais das regiões norte, noroeste, centro-oeste e oeste do Paraná estão autorizados, desde o dia 1º de setembro, a dar início ao plantio de soja. Com o período de vazio sanitário encerrado, os preparativos para a semeadura estão acelerados.

A temperatura deve oscilar com médias acima e abaixo de 20ºC nas próximas semanas, com previsão de alguns dias de chuva, segundo o Simepar. O produtor aponta a predominância do calor e o solo com a umidade necessária como clima ideal para o plantio.

Para ele, o que mais preocupa em relação ao El Niño é se o fenômeno ocasionar uma sequência de dias nublados, o que pode afetar o enchimento dos grãos. “Nesse cenário, a planta alonga o ciclo e produz menos”. Mas ele lembra que o evento climático costuma ser favorável à cultura na região, até porque chuvas bem distribuídas contribuem para o desenvolvimento da soja.

Com investimentos em tecnologia somados a um clima favorável, a expectativa, conforme Adriano, é de uma ótima safra. Ele projeta colher em torno de 80 sacas por hectare, a exemplo das temporadas anteriores.

Apesar disso, o produtor ressalta que a rentabilidade da soja segue baixa. “Os últimos dois anos foram os piores, considerando um período de dez anos”. Mesmo com o aumento do preço da commodity nos últimos dias, ele não vê melhoria, uma vez que insumos e máquinas mantêm patamares de preços muito altos, o que o levou a reduzir a área de soja e ampliar a de milho nesta safra, que passou de 30 hectares para 100 hectares.

O produtor Ronaldo Vendrame, de Palotina, também no oeste do Paraná, está com tudo preparado para iniciar o plantio da soja a partir de 10 de setembro. Ele conta que a área de 40 hectares, com sistema de plantio direto, foi dessecada, tratada e adubada. Vendrame também considera que o clima está ideal para o plantio e espera uma produtividade em torno de 70 sacas por hectare, mesmo volume do ano anterior.

As previsões do El Niño trazem preocupação com eventos mais intensos como os vendavais, que podem afetar além das lavouras outras culturas da propriedade, como as granjas de avicultura. Ronaldo lembra que, na região, a La Niña costuma preocupar mais os agricultores. “Causa receio, pois a região já tem, eventualmente, problemas com estiagem. Já, com chuvas, o clima costuma ser mais tranquilo para a produção”.

Paraná

Edmar Gervásio, administrador do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, reforça que, neste momento, o clima está favorável. “Chuvas regulares e dias de sol são boas condições para o plantio da soja”, comenta.

O sudoeste do Paraná terá autorização para plantio a partir de 11 de setembro e as demais regiões a partir do dia 20 deste mês.

Gervásio aponta que se as chuvas previstas ocorrerem de maneira pontual até o próximo mês, as condições seguirão ideais para a cultura. Já a ocorrência de precipitações com maior intensidade durante os meses de novembro e dezembro pode afetar o desenvolvimento das lavouras, prejudicando o tratamento fitossanitário das plantas e causando maior incidência de fungos causadores da ferrugem asiática e outras doenças.

Da mesma maneira, dias nublados também podem gerar impacto na produtividade da planta. Outra preocupação, adverte o especialista, são as chuvas previstas para os meses de janeiro e fevereiro que podem prejudicar a retirada da soja do campo, reduzindo a qualidade do grão.

Aumento de área

O Deral divulgou, na última semana de agosto, a primeira estimativa para a safra de soja 2026/27 no Paraná. A projeção inicial indica uma produção recorde de 22,6 milhões de toneladas, em uma área estimada de 5,76 milhões de hectares, aumento de 4% em relação ao ciclo anterior.

Segundo o órgão, o cenário representa elevado potencial produtivo, com produção média acima de 3.900 quilos por hectare ou 65 sacas por hectare. “A expectativa inicial é positiva, mas o comportamento do clima será determinante para transformar o potencial projetado em uma nova safra recorde no Estado”, afirma Gervásio.

Com a estimativa, o Paraná deve manter a segunda colocação no ranking nacional da produção de soja, que tem Mato Grosso na liderança. Na safra 2025/26, os dois Estados produziram 21,9 milhões de toneladas e 51,6 milhões de toneladas, respectivamente. Em terceiro lugar está Goiás, com 20,1 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).


Fonte: Globo Rural