Acordo entre Paraguai e EUA pode reduzir energia disponível de Itaipu para o Brasil

Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

Um acordo entre o Paraguai e os Estados Unidos para instalar um centro de processamento de dados voltado à inteligência artificial deve aumentar o consumo de energia elétrica do país vizinho e reduzir a quantidade disponível de Itaipu para o Brasil.

O projeto, anunciado no fim de outubro, envolve uma empresa norte-americana e uma companhia paraguaia. A estrutura será instalada no Paraguai e utilizará energia da usina hidrelétrica de Itaipu, que pertence aos dois países.

Pelo Tratado de Itaipu, Brasil e Paraguai têm direito a 50% da energia produzida pela usina. No entanto, o consumo paraguaio vem crescendo. Em 2024, o país utilizou 36% da geração de Itaipu, contra 23% em 2023. A projeção de especialistas é que o Paraguai alcance sua cota total até 2030.

Com o aumento da demanda, o Brasil poderá receber uma parcela menor da energia excedente que historicamente compra do país vizinho. Especialistas defendem que o governo brasileiro se antecipe e planeje alternativas para evitar problemas no abastecimento e custos elevados no futuro.

Apesar disso, a instalação do centro de dados não representa, por si só, uma violação do tratado, já que a energia será consumida dentro do próprio Paraguai. O acordo prevê que o excedente não utilizado por um dos países seja disponibilizado ao outro em condições específicas.

O Brasil conta com outras fontes de geração, como energia solar, eólica, hidrelétrica, termelétrica e biomassa. Segundo especialistas, a substituição da energia de Itaipu por outras fontes poderá até reduzir custos, dependendo dos preços contratados.

Enquanto isso, Brasil e Paraguai seguem negociando a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, que estabelece as regras financeiras e de comercialização da energia excedente. A expectativa do governo paraguaio é concluir as discussões até o fim deste ano.

Fonte: Tribuna