Soldado afirma que disparou para cessar agressão após ataque de jovem algemado no RS

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O policial militar que foi filmado em uma aparente execução em Bom Jesus, na Região dos Campos de Cima da Serra, disse ter sido atacado com uma faca antes de desferir tiros contra Geovane Matias Maciel, 19 anos. O soldado Emerson Brião não mencionou se o outro foi alvejado com as mãos algemadas para trás. O relato consta em um vídeo feito no dia 4 de março, em depoimento à Polícia Civil, na mesma data do ocorrido. A reportagem do Correio do Povo obteve o registro.

Na gravação, que tem dois minutos e 51 segundos, o policial descreveu a abordagem de um taxi onde estava Geovane, que tinha um mandado de prisão preventiva em aberto contra si. O relato dá conta que o foragido teria utilizado uma faca para evitar ser abordado.

“Ele [Geovane] sacou uma faca e tentou avançar na guarnição, inclusive, me atingindo no colete com uma facada. Tive que efetuar quatro disparos e cessar a injusta agressão”, afirmou o PM.

Ainda na justificativa, o policial diz que, logo após os disparos, tentou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “De imediato, tentamos acionar o Samu, mas não pega sinal no local. A gente colocou ele na viatura e o levou até o hospital”, descreveu.

O policial foi preso preventivamente no dia 10 de julho, após a Justiça aceitar um requerimento da Polícia Civil. Antes disso, a corregedoria da BM já havia feito um pedido de prisão à Justiça Militar, mas o órgão declinou a solicitação.

A reportagem contatou o advogado Fábio Silveira, responsável por defender Emerson Brião. Ele disse ainda não ter manifestações sobre o caso, mas confirmou que o vídeo do depoimento foi gravado na delegacia momentos após, e ainda sob o impacto, dos fatos. O espaço permanece aberto.

A prisão preventiva foi deferida pelo juiz Vancarlo André Anacleto, da Vara Judicial da Comarca de Bom Jesus. Ao analisar os autos, o magistrado considerou o risco concreto de obstrução da investigação e da instrução criminal. A ordem levou em conta o fato do suspeito atuar em uma pequena comunidade e exercer significativa influência local, o que poderia comprometer a apuração dos fatos e a coleta de provas.

Segundo o juiz, a medida se justifica pela gravidade do fato apurado, que é a suspeita de execução de um civil por um agente público, em situação de completo domínio da ocorrência. A vítima, conforme laudo pericial, morreu em decorrência de hemorragia interna provocada por ferimentos causados por arma de fogo.

Além do preso, outros três PMs que aparecem na gravação também são investigados. A reportagem também contatou o advogado Mauricio Adami Custódio, que representa a defesa do trio e enviou uma nota (leia na sequência). Todos os envolvidos ainda respondem em um Inquérito Policial Militar (IPM).

Fonte: Correio do Povo