A família de Domingos Munaro, 70 anos, contesta com veemência a versão apresentada por Lucas Luan Borges, 22 anos, suspeito de matar o idoso a golpes de machado no interior de Mafra. Segundo os parentes, o jovem teria usado uma falsa narrativa de racismo para tentar justificar o crime, cometido no domingo 16 na localidade de Vila Ruthes.
Domingos foi encontrado caído em uma lavoura de milho, com ferimentos profundos na cabeça, no rosto e no pescoço. A cena chamou atenção até dos socorristas que chegaram ao local, mas nada pôde ser feito.
A família afirma que a história contada pelo suspeito não tem qualquer ligação com a realidade. Eles dizem possuir boletins de ocorrência anteriores feitos por Domingos e reforçam que o idoso jamais praticou insultos de natureza racista, como alegado por Lucas. Para os parentes, o jovem teria recorrido a essa narrativa para tentar suavizar a própria responsabilidade no crime.
O que diz o suspeito
Detido horas depois, Lucas afirmou em depoimento que vinha discutindo com o vizinho havia meses. O jovem disse à polícia que já teria registrado queixas contra Domingos e que ouviu ofensas raciais no dia do crime.
Segundo ele, antes de sair de casa entregou seu cartão bancário a familiares e pediu que fizessem uma transferência ao seu filho, indicando que sabia que algo grave poderia acontecer. Em seguida, saiu armado com um machado, caminhou pelos trilhos e chamou o idoso para fora de casa.
Lucas relatou que os dois entraram em luta corporal e que Domingos o atingiu na perna com uma barra de madeira. Ele contou que, após o idoso tentar correr, o alcançou e deu um golpe de machado na cabeça, continuando o ataque mesmo depois da vítima ter caído.
Versão da família
Os parentes de Domingos enviaram ao Jornal Razão um boletim de ocorrência registrado dias antes da morte. No documento, o idoso relata que a casa havia sido invadida, que vidros foram quebrados e que suspeitava do envolvimento do mesmo jovem que agora está preso. Para a família, isso demonstra que o idoso era vítima e não agressor.
Eles ainda afirmam que Domingos tinha audiência marcada para o dia 17, um dia após o crime, justamente relacionada ao suspeito. Segundo os familiares, isso reforça que o idoso tentava resolver a situação pela via legal, e não por confronto.
Fuga e prisão
Depois dos golpes, Lucas procurou familiares da vítima pedindo que chamassem a polícia e fugiu pelos trilhos. As guarnições da Polícia Militar montaram um cerco e localizaram o suspeito em uma área de mata a cerca de 1 km do local. Ele ainda tentou se esconder, mas foi detido.
O jovem passou pela UPA e relatou dor na perna, possivelmente pela suposta pancada descrita no depoimento.
Investigação
A Polícia Científica recolheu o machado usado no crime e registrou imagens da cena. O caso segue sob investigação. Lucas Luan Borges, natural de Itaiópolis, permanece preso e deve responder por homicídio doloso com emprego de meio cruel.
A família de Domingos, abalada, reafirma que o idoso não está aqui para se defender das acusações feitas pelo suspeito e exige que as versões sejam apresentadas com responsabilidade. Para eles, a tentativa de justificar o crime com uma narrativa de racismo é uma afronta à memória do aposentado.
Fonte: Jornal Razão 
Foto: Jornal Razão

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